Como lidar com a desobediência

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Seu filho é desobediente? Às vezes você tem a sensação de que ele sequer ouve o que você diz? Já não sabe mais o que fazer? Trata-se de uma queixa muito frequente. Alguns especialistas comentam que isso é normal em crianças pequenas e que, na verdade, esses comportamentos podem indicar um problema de comunicação entre pais e filhos.

Para o professor Carlos Nadalim, coordenador pedagógico e organizador do site “Como Educar seus Filhos” (www.comoeducarseusfilhos.com.br), a obediência das crianças precisa ser conquistada pelos pais. “É possível melhorar o relacionamento com elas, mesmo quando parece ser bem difícil”.

Para isso, é importante entender como lidar em cada situação. Nadalim diz que muitos pais, por não saberem como reverter um quadro de desobediência ou birra, acabam deixando de lado os acontecimentos ou brigando ainda mais com a criança. “É fundamental que a família saiba como agir diante de cada atitude adversa dos filhos, orientando-os sempre de maneira adequada”.

A primeira dica de Nadalim para mudar esse quadro é empregar uma linguagem positiva e evitar responder às ações tidas como indisciplinadas sempre de maneira negativa e por meio de ordens. “Se seu filho está correndo dentro de casa, em vez de lhe dizer ‘Pare de correr! Não corra dentro de casa!’, você pode expressar-se de outra maneira, dizendo algo como: ‘Aqui na sala se anda. Lá fora é o lugar de correr!’. Dessa forma a criança entenderá que não é a ação que é proibida, mas o local” – explica. Em casos assim, o “não” pode ser entendido como uma ameaça, o que faz com que a criança se feche.

Outra dica é tentar trocar o “se” pelo “quando”. Por exemplo, se um pai diz ao filho: “Se você comer toda a salada, vai ganhar a sobremesa”, transmite a ideia de que a criança tem a opção de não comer a salada, embora nesse caso fique sem a sobremesa. Porém, utilizando o “quando”, o foco é outro e cria-se uma expectativa de obediência: “Quando você terminar de comer a salada de brócolis, eu lhe darei a sobremesa”.

A terceira dica é nunca emitir uma ordem longe de seu filho. Nadalim explica que, primeiro, você deve se aproximar da criança e depois emitir a instrução, sem gritar. Quando o pai ou a mãe berra da sala para o filho que está no quintal “Filho, venha logo! O jantar está pronto!”, esse tipo de postura dá a impressão de que o chamado não é tão importante assim, comenta Carlos. Seria melhor ir ao encontro da criança e, inserindo-se brevemente na atividade em que ela está envolvida, dizer-lhe com firmeza e autoridade que o jantar está servido, fazendo-o, contudo, sem elevar a voz. “Depois do aviso, saia do ambiente onde está seu filho. Ele entenderá que a instrução é realmente séria”.

A quarta e última dica é respeitar o tempo da criança. “Caso ela esteja brincando e você preparando o jantar, você estabeleceu um objetivo (terminar o jantar), mas seu filho, brincando, também criou objetivos, estabeleceu metas. Você precisa dar-lhe a oportunidade de terminar a atividade para depois obedecer a sua ordem” – ressalta.

Obviamente o comportamento das crianças não vai mudar da noite para o dia. Mas, empregando com paciência e persistência essas simples alterações na forma de se comunicar com elas, os pais certamente obterão bons resultados.

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