Moro diz que foi intimidado e não decretou prisão de Lula por ‘prudência’

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O juiz Sérgio Moro afirmou na sentença em que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (12) que foi intimidado e que não decretou a prisão neste momento do processo por “prudência”.

Lula foi condenado a nove anos e seis meses pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo que envolve o caso da compra e reforma de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Moro afirmou que há pelo menos dois depoimentos no processo dizendo que Lula teria orientado a destruição de provas no caso.

Moro escreveu:

“(…) TEM ELE [LULA], ORIENTADO POR SEUS ADVOGADOS, ADOTADO TÁTICAS BASTANTE QUESTIONÁVEIS, COMO DE INTIMIDAÇÃO DO ORA JULGADOR, COM A PROPOSITURA DE QUEIXA-CRIME IMPROCEDENTE, E DE INTIMIDAÇÃO DE OUTROS AGENTES DA LEI, PROCURADOR DA REPÚBLICA E DELEGADO, COM A PROPOSITURA DE AÇÕES DE INDENIZAÇÃO POR CRIMES CONTRA A HONRA.” (…)

(…) “ALIANDO ESSE COMPORTAMENTO COM OS EPISÓDIOS DE ORIENTAÇÃO A TERCEIROS PARA DESTRUIÇÃO DE PROVAS, ATÉ CABERIA COGITAR A DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA DO EX-PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA.”

“Até mesmo promoveu ação de indenização contra testemunha e que foi julgada improcedente, além de ação de indenização contra jornalistas que revelaram fatos relevantes sobre o presente caso, também julgada improcedente”, complementou.

“Tem ainda proferido declarações públicas no mínimo inadequadas sobre o processo, por exemplo sugerindo que se assumir o poder irá prender os procuradores da República ou delegados da Polícia Federal”, escreveu ainda Moro.

“Essas condutas são inapropriadas e revelam tentativa de intimidação da Justiça, dos agentes da lei e até da imprensa para que não cumpram o seu dever”, afirmou. “Aliando esse comportamento com os episódios de orientação a terceiros para destruição de provas, até caberia cogitar a decretação da prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, argumentou.

“Entrentanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação”, concluiu.

Moro disse ainda que não tem satisfação pessoal com a condenação de Lula. “Por fim, registre-se que a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável que um ex-presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei”, disse. ” Prevalece, enfim, o ditado “não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você” (uma adaptação livre de “be you never so high the law is above you“).”